Alegria de pobre dura pouco, já ouviu essa expressão? Pois é, acho que o único defeito dela é apenas esse pobre. Porque a infelicidade, infelizmente não faz distinção entre ricos e pobres. Tudo parecia estar bem na minha vida, emprego bom, independência quase que completa, pois me mudaria da casa de meus pais em questão de semanas, inicio de namoro, enfim tudo uma maravilha. Quer dizer, até aquele dia é claro.
Era uma quinta-feira por volta das dez horas da noite, eu e minha família voltávamos de um jantar fora, pai, mãe, irmão, irmão e claro, eu. O jantar foi maravilhoso, restaurante bom, comida deliciosa, nos divertimos muito. Aliás, era um hábito jantarmos fora as quintas e em geral os jantares eram sempre divertidos. Estávamos voltando para casa, minha mãe e irmã resolveram passar na casa de uma amiga, nos os homens iríamos pra casa esperar a ligação delas e então buscá-las e assim encerrar aquela divertidíssima noite.
Vivíamos em um bairro bom, rico! Aquilo devia ser impossível, algo que só acontecia
Cai batendo com o queixo no chão e quando meu pai e meu irmão tentaram, em vão, me por deitado na cama, o nosso bestial carcerário berrou que nos devíamos ficar sentados no chão, distantes um dos outros. Encolhi-me em um canto, com as pernas apertadas contra o peito e olhava fixamente para aquele monstro a minha frente, era estranho ver que em uma situação como aquela ele estava totalmente calmo, lembrava um predador que apenas brincava com suas vítimas antes de devorá-la. Aliás, não era apenas calma que seu rosto mostrava, ele parecia estar se divertindo com aquela situação, a sensação de poder perante nós devia fazê-lo se sentir como um juiz, decidindo quem vive e quem morre. Quando aquela odiosa besta percebeu que eu estava olhando para ele, dirigiu-se até mim, chutou minha perna e me deu vários socos na cabeça e esbravejou algo sobre eu ser uma bixa nojenta e de como ele iria me matar e logo apontou a arma para meu pai que naquele momento parecia que iria voar em cima daquele sujeito, fazendo com que ele desistisse da idéia de atacá-lo. Logo voltou para perto da porta, onde tinha uma visão de todos nós.
Minha respiração estava ofegante, meu coração batia rápido e para completar, todos aqueles socos fizeram com que eu tivesse um ataque fulminante de enxaqueca. Minha cabeça latejava e doía como se estivesse sendo acertada por socos e ponta pés. Apoiei a cabeça na testa e fechei os olhos, na esperança de conseguir me acalmar. Tentativa em vão, já que logo aquele homem maldito começou a falar, quase gritando, coisas sobre como estava decepcionado por não ter nenhuma mulher ali, e como ele as estupraria e a levaria para o morre, iria entupi-la da drogas e depois a estupraria de novo e quando ela se desse conta, estaria dando a bunda para qualquer um que pudesse lhe comprar uma pequena pedra de crack. Também falou sobre como iria nos matar depois que tivessem saqueado nossa casa e eu me lembrei do brilho da arma dele, brilhava com a pele de uma cobra pronta para dar o bote.
Aquele inferno durou exatamente três horas. Cerca de meia-hora depois dos bandidos terem ido embora minha mãe e minha irmã voltaram para casa e meu pai contou tudo o que havia ocorrido a elas. Então ficou resolvido que todos iriam prestar queixa na delegacia, menos eu, pois estava com uma grave enxaqueca e queria dormir.
Deitei-me na cama e fechei os olhos, só queria dormir e esquecer esse dia terrível. Mas foi inútil minha mente foi invadida por imagens de meus pais mortos, minha irmã sendo violentada e ao fundo podia ver aquele sujeito animalesco com seus olhos brilhantes, brilhantes como a arma que carregava, sorria e estuprava minha irmã. Outros pensamentos também invadiram minha mente. Por que com a gente? Éramos uma família boa, que ajudava os necessitados, estudiosos, religiosos, nunca fizemos mal a ninguém. Morávamos em um bom bairro e sempre dávamos esmola para os pedintes. Então por que meu Deus? Por que? Por que? Por que? Já exausto, dormi e tive pesadelos com o que tinha acontecido naquele dia.
Demorei exatamente dois meses para me recuperar do trauma vivido naquela quinta-feira, freqüentei psicólogos e psiquiatras e fiz terapias em grupo e individual quase diariamente. Agora parecia curado Voltando de mais um dia de trabalho estava ansioso para chegar a minha casa, porque iríamos jantar fora de novo depois de tanto tempo. Mas antes de entrar em casa, vi um vulto através da janela da cozinha e parecia que ele ia em direção a sala. Um medo repentino se abateu sobre mim, não queria ter que viver aqueles momentos de novo, as imagens a tanto esquecidas voltavam a minha mente e a voz daquele homem também. Mas ao mesmo tempo senti ódio e queria me vingar de tudo que havia acontecido comigo e nesse ímpeto peguei um taco de baseball (dos tempos que eu tentei jogar) que fica sempre no quintal, entrei pelos fundos da casa e me esgueirando sorrateiramente cheguei até a sala, estava tudo escuro, mas lá estava o vulto no meio da sala parado. Ergui o taco e acertei com toda a minha força a cabeça daquele canalha e no mesmo momento as luzes acenderam as luzes e eu pude ver meu irmão caído no chão com o crânio rachado e uma poça de sangue ao redor. Parabéns para você.
Macabro, mas interessante... hm
ResponderExcluirBom texto, consegui ficar bem tensa lendo.
ResponderExcluir*-* OMFG muito bom *-*
ResponderExcluirSeguindo você *-*
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